terça-feira, 23 de Junho de 2009

Nunca podemos dizer que está tudo bem...

Já há algum tempo que não venho aqui.
Os últimos tempos não têm sido fáceis... a última semana de aulas, há tanto tempo desejada, revelou-se a pior de todas. E nem teve nada a ver com a escola. Quando na 2ªfeira passada me levantei nunca imaginei o que iria ser o resto da semana.
O meu filho chegou a casa dizendo que se sentia tonto e com um zumbido estranho nos ouvidos. Dizia ele que ouvia tudo muito mais alto. As tonturas ao chegar a casa aumentaram... dizia que sentia falta de ar. Liguei para a Saúde24 e contei o que se passava. Depois de 15 minutos em que me fizeram muitas perguntas, me pediram que lhe fizesse uma série de coisas, aconselharam-me a que ele fosse visto no Centro de Saúde da minha área, que teria consultas de urgência a partir das 20h... ou seja, teria que esperar ainda cerca de 2 horas.
Mas, o miúdo sentia-se cada vez mais tonto. Parecia que lhe faltava o equílibrio. Resolvi ir com ele ao Hospital da Luz. Depois de ser observado, não aparentava nada... tinha um pouco a garganta inflamada...mas não havia sinais de mais nada. Ele não se queixava de dores, só a impressão nos ouvidos e as tonturas. Voltou para casa com a indicação de que, se continuasse deveria lá voltar com ele.
Viemos para casa e achei que era melhor ele dormir comigo, na tentativa de ele se sentir mais calmo e também para ir controlando. Mas quando se deitou começou a sentir-se enjoado, com vontade de vomitar. Por três vezes se teve que levantar e agarrando-se às paredes muito tonto lá vomitava. E a seguir caía no chão da casa de banho... eu segurava-lhe a cabeça e via os olhos dele descontrolados... pareciam que rolavam... ele sentía-se em pânico com os enjoos e as tonturas. Finalmente cerca das 3 da manhã acalmou.
De manhã não hesitei... depois dele ter vomitado mal se tentou mexer um pouco, avisei o pai e fui para o Hospital da Luz de novo com ele. Foi observado por uma neurologista; fizeram-lhe testes de coordenação, de reflexos, de sons, tudo o que se possa imaginar. Ele nesta altura já não se queixava dos ouvidos. Só as tonturas e os enjoos. A médica achou que ele devia ser posto a soro para se manter hidratado, e ver como ia evoliundo. Ele estava muito assustado (e eu também, confesso) mas portou-se como um homenzinho.
Ao final do dia e depois de lhe ter sido feito um audiograma e de ter sido observado pelo otorrino, a neurologista veio ter connosco e disse-nos que ele estava com uma crise de "Síndrome Vertiginosa". Uma sintomatologia associada a uma perturbação no ouvido interno, que afecta o equílibrio e dá estas crises de tonturas e enjoos. Mas, que ele teria de ficar no hospital mais um tempo. Não o deixariam sair enquanto não fosse visto por um especialista em terapia da vertigem e enquanto tivesse os enjoos.
Pensar em ter o meu filho no hospital é daquelas coisas que nos deixam sem qualquer acção; se, por um lado temos que não deixar transparecer o que nos vai na alma, para que ele não se preocupe connosco, por outro lado, o desespero de o ver cheio de fios na cama e sem saber explicar-lhe o que ele tem, é horrível. Embora já tenha passado pela dor de ver pai e mãe internados, nada se compara a ver um filho numa cama de hospital.
Ele teve que passar lá a noite. De manhã parecia que se sentia melhor. Parecia que já falava mais animado. A médica disse que lhe iriam tentar dar de comer alguma coisa e que a seguir iria ser visto pelo especialista. Comeu 3 pedaços de torrada, mas sentiu-se enjoado e parou. O especialista fez-lhe novamente uma série de exames e confirmou o diagnóstico. Estas crises poderiam ser recorrentes, pelo que iria ser medicado, e voltaria à consulta daqui a um mês para nova avaliação e redefinição da medicação. Agora, só poderia sair do hospital quando já não tivesse tonturas.
Mas... ele continuava a sentir-se enjoado e tonto... eu e o pai começámos a sentir-nos desorientados... parecia que ele não conseguia estabilizar... a médica decide fazer-lhe um TAC. Felizmente estava tudo bem. Era uma questão de tempo até ele acalmar e conseguir comer sem vomitar.
Ao final do dia, mais uma tentativa, um chá e umas bolachas... ele comeu as bolachas devagar e com um gosto que parecia que estava esfomeado. Graças a Deus ficaram lá. Ele levantou-se, muito devagar, sentou-se num cadeirão... e as coisas continuavam calmas. a médica disse para ele tentar andar um pouco pela sala de espera, para se ambientar à posição vertical e ver como se sentia. Ele estava com medo... mas portou-se bem. Mais alguns exames e a médica achou que poderia vir para casa; tendo a noção que ainda se sentia com medo...mas a pouco e pouco as coisas iam melhorando.
Voltámos... a noite, da minha parte foi em claro (mais uma...) passei a noite a ver como ele respirava, como se mexia, como estava... De manhã, levantou-se (estava cheio de medo de voltar a sentir o mesmo...) e ainda muito devagar comeu (muito pouco ainda...).
Mas com o correr do dia foi melhorando... já não se sentia enjoado, começou a ter vontade de comer (ele dizia que se sentia desconsolado...) começou a ganhar confiança para se ir levantando, só lhe fazia confusão olhar para baixo...
Hoje está bem. Está a ser medicado claro... mas aparentemente voltou ao normal. Mas daqui para a frente vai ter de aprender a lidar com estas crises...
E eu iniciei uma cruzada... quero ler tudo o que encontrar acerca desta síndrome... quero entender como posso lidar com isto... para poder ajudar o meu filhote.
Mas, confesso, sinto-me meio desorientada. Há coisas que nos caem assim do nada e que nos mostram que temos que saber enfrentar as dificuldades.

4 comentários:

Isabel Preto disse...

Espero que tudo esteja a voltar ao normal e que o teu filhote não tenha muitas crises destas.
Passaram um mau bocado...Tudo de bom e força.
Beijinho.

Professora Georgina Pinto disse...

Querida Paula!
Estou comovida com todo o relato do problema de saúde do teu filhote e o que também sofreste.
Pensei que o problema de saúde do teu menino estava mais associado a pessoas idosas, a minha mãe tem esta doença e é muito aborrecido, porque cai com muita facilidade . Mas o teu menino ainda é muito jovem e vai recuperar bem, tem fé em Deus. Hoje também já sofri com as dores do meu querido filho, pois foi operado ao calcanhar esquerdo para retirar duas verrugas, uma levou 10 pontos e a outra ficou em carne viva, agora está melhor mas já teve muitas dores, hoje foi tirar os pontos e sofreu muito pois alguns pontos estavam muito enterrados na carne, a outra ferida vai lentamente criando pele. O que mãe sofre, não é verdade? Beijinhos e as melhoras do teu filhote.

Shakti disse...

Espero que ele já esteja melhor e que daqui em diante consigam todos aprender a viver com essas crises ...

Força !!!!

Bj

Anónimo disse...

Visitei o seu blog e, logo por acaso, deparei com uma situação que conheço bem. A minha mãe sofreu durante anos deste síndrome vertiginoso, ou de menière. Tinha crises frequentes e, a última foi realmente grave: 2 meses de cama, parecendo que nunca mais de lá sairia.
Por conselho de uma familiar com o mesmo problema, e que já tinha feito um tratamento, foi ao Professor João Paço que trabalha no Hospital da CUF na Infante Santo, em Lisboa. Milagre!! Ele faz um tratamento que se chama "manobras", com luzes e movimento e, o que é certo é que a minha mão já há vários anos (desde o tratamento) que ao tem uma crise.
Não perde nada por experimentar. Espero que resulte com o seu filho como aconteceu com a minha mãe.

Felicidades!